
Foto: Ryan E. Poplin · CC BY-SA 2.0
Ficha taxonómica
- Nome científico
- Helarctos malayanus
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Ursidae
- Género
- Helarctos
- IUCN
- VUVulnerável
- Habitat
- Florestas tropicais abaixo dos 1.200 m
- Peso
- 25–65 kg
O urso-malaio (Helarctos malayanus), também conhecido como urso-do-sol, é a mais pequena das oito espécies de urso. Vive nas florestas tropicais do Sudeste Asiático e deve o nome à mancha clara que tem no peito — normalmente em forma de U, e que varia do laranja ao creme ou mesmo ao branco. O nome do género, Helarctos, vem do grego hēlios (sol) e arctos (urso).
O mais pequeno de todos
Um adulto pesa entre 25 e 65 kg e mede entre 100 e 140 cm de comprimento, com cerca de 70 cm de altura ao garrote. Para comparar: um urso polar macho pode pesar dez vezes mais.
Tem a pelagem curta e negra — uma adaptação ao calor húmido do trópico —, garras em forma de foice, longas e pesadas nas patas dianteiras, e uma língua excecionalmente longa que estende para extrair insetos e mel.
O que come
É omnívoro. Come formigas, abelhas, escaravelhos, térmitas e mel, e ainda sementes e vários tipos de fruta. Ocasionalmente inclui pequenos vertebrados. A língua e as garras servem exatamente para o mesmo fim: abrir troncos e colmeias e alcançar o que está lá dentro.
O mais arborícola de todos
É o urso que passa mais tempo em cima das árvores. Trepa com facilidade e dorme ou apanha sol a 2 a 7 metros do solo. Está sobretudo ativo de dia, embora nas zonas mais frequentadas por pessoas se torne noturno.
É solitário, e só se vê acompanhado quando se trata de uma fêmea com crias — que permanecem com a mãe quase três anos.
Não hiberna, e a razão é simples: no seu território há comida o ano inteiro, por isso nunca desenvolveu essa necessidade.
O que faz pela floresta
Ao abrir térmiteiras a lamber e sugar o conteúdo, e ao alimentar-se de fruta, cumpre uma função que a floresta precisa. Um estudo no centro do Bornéu documentou o seu papel na dispersão das sementes de Canarium pilosum.
Onde vive
Nordeste da Índia, Bangladesh, Myanmar, Tailândia, Camboja, Laos, Vietname, Brunei, Indonésia e Malásia. Em 2017 foi confirmada a sua presença na província chinesa de Yunnan. Está extinto em Singapura.
Ocupa florestas tropicais — caducifólias, sazonalmente perenes e perenes — normalmente abaixo dos 1.200 metros de altitude.
Sudeste Asiático, da Índia à Indonésia
11 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.
Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.
O comércio de bílis
É uma das espécies visadas pelo comércio de bílis de urso no Sudeste Asiático, e mantém-se em explorações no Laos, no Vietname e em Myanmar. As vesículas biliares vendem-se em estabelecimentos de medicina tradicional chinesa.
Um levantamento feito entre 2018 e 2019 encontrou partes e derivados de urso à venda em 25% dos estabelecimentos inspecionados.
Subespécies
Reconhecem-se duas: o urso-malaio (H. m. malayanus) e o do Bornéu (H. m. euryspilus). As diferenças genéticas entre elas são pouco claras, e há quem considere a espécie monotípica — ou seja, sem subespécies.
Estado de conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica-o como vulnerável. Não há uma estimativa publicada da população selvagem.
As ameaças são a desflorestação intensa — por agricultura, exploração madeireira e incêndios florestais —, a caça para o comércio de vida selvagem, a fragmentação do habitat e o conflito com as populações humanas.
Reprodução
A gestação varia muito, entre 95 e 240 dias. Nascem uma ou duas crias. Em cativeiro vive geralmente mais de 20 anos, e há registo de um indivíduo que chegou aos 34.