
Foto: Guérin Nicolas · CC BY-SA 3.0
Ficha taxonómica
- Nome científico
- Ursus thibetanus
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Ursidae
- Género
- Ursus
- IUCN
- VUVulnerável
- Habitat
- Florestas caducifólias e mistas
- Peso
- 40–200 kg
O urso preto asiático (Ursus thibetanus), também chamado urso-de-colar ou urso-lua, é o mais bípede de todos os ursos. Consegue caminhar erguido sobre as patas traseiras durante mais de 400 metros — nenhuma outra espécie da família se aproxima disso. Vive numa faixa enorme da Ásia, do Irão ao Japão.
A mancha do peito
O traço que lhe dá o nome é uma mancha esbranquiçada ou creme no peito, muitas vezes em forma de V. É o que se vê quando o animal se ergue, e é a razão dos dois nomes populares: colar e lua.
Um macho pesa entre 60 e 200 kg, com média a rondar os 135 kg; uma fêmea, entre 40 e 125 kg, chegando excecionalmente aos 140. Ambos medem entre 120 e 190 cm de comprimento.
Um corpo construído para trepar
A proporção do urso preto asiático é invulgar: tronco e patas dianteiras poderosos, patas traseiras relativamente fracas. É o oposto do urso-pardo, e explica as duas coisas pelas quais é conhecido.
A primeira é que passa metade da vida em cima das árvores — é um dos maiores mamíferos arborícolas do mundo. Constrói ninhos onde descansa, a cinco metros do chão ou mais.
A segunda é a marcha bípede. Um corpo com este centro de gravidade equilibra-se de pé com muito menos esforço do que o de um urso-pardo.
O que come
É omnívoro e pouco esquisito: insetos, larvas de escaravelho, térmitas, invertebrados, abelhas e ovos; cogumelos, ervas, casca, raízes, tubérculos, fruta, frutos secos, sementes, mel, bolotas, cerejas e cereais; e carcaças. Mata ungulados com alguma regularidade, incluindo gado doméstico — o que está na origem de boa parte do conflito com as pessoas.
Hiberna, ou não, conforme onde vive
Na maior parte da sua área de distribuição não hiberna. Só o faz nas zonas frias do norte, e mesmo aí há exemplares que se limitam a descer para altitudes mais baixas.
Há uma exceção que não falha: quase todas as fêmeas gestantes hibernam, vivam onde viverem. Quem hiberna prepara a toca em meados de Outubro e dorme de Novembro a Março. Sobre o assunto, ver as características dos ursos.
Onde vive
Do sudeste do Irão e do Paquistão, pela Índia e os Himalaias, até ao Sudeste Asiático continental, à península coreana, a Taiwan, à China e ao Extremo Oriente russo — e às ilhas japonesas de Honshū e Shikoku.
É uma das maiores áreas de distribuição da família, e também uma das mais fragmentadas: são populações isoladas umas das outras, não um contínuo.
Do Irão e Himalaias ao Japão
18 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.
Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.
Quem o caça
Um adulto tem poucos inimigos, mas não nenhum: é atacado ocasionalmente por tigres e por ursos-pardos. A partir dos cinco anos de idade, um urso preto asiático está praticamente a salvo do tigre.
Antes disso, não. O leopardo preda crias com menos de dois anos, e alcateias de lobos e linces-euroasiáticos também as apanham. O tigre caça sobretudo animais jovens.
A ameaça verdadeira
Não é nenhum dos anteriores: são as quintas de bílis. A Coreia do Sul é um dos dois países onde a criação de ursos para extração de bílis continua legal. Em 2009 contabilizavam-se cerca de 1.374 ursos pretos asiáticos em 74 quintas, mantidos em gaiolas de compressão para abastecer a medicina tradicional.
Some-se a perda de habitat e a caça furtiva, e o resultado é a classificação da UICN: vulnerável.
Quantos restam
Não se sabe. Não existe uma estimativa global da espécie, e as regionais são pouco fiáveis: para a China circulam números entre 15.000 e 46.000, com uma estimativa oficial de 28.000; na Rússia fala-se de 5.000 a 6.000; na Índia, de 7.000 a 9.000; no Paquistão, de 1.000.
Em Taiwan restam entre 200 e 600 exemplares da subespécie formosana. Na Coreia do Sul, o núcleo selvagem de Jirisan contava 56 ursos em Abril de 2018.
Há uma exceção em sentido contrário: no Japão a população terá passado de cerca de 15.000 exemplares em 2012 para 44.000 em 2023, resultado das políticas de conservação.