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Ursopedia

Urso preto americano

Urso preto americano em ambiente natural

Foto: HBarrison · CC BY-SA 2.0

Ficha taxonómica

Nome científico
Ursus americanus
Ordem
Carnivora
Família
Ursidae
Género
Ursus
IUCN
LCPouco preocupante
Habitat
Florestas com vegetação densa
Peso
40–300 kg

O urso preto americano (Ursus americanus) é o urso mais abundante do mundo. Estima-se que existam mais exemplares desta espécie do que de todas as outras sete somadas. Vive no Canadá, nos Estados Unidos e no México, e é o único urso cujas populações estão, na maioria das regiões, estáveis ou a aumentar.

Nem sempre é preto

O nome engana. Cerca de 70 % dos ursos pretos americanos são efetivamente pretos — os outros 30 % não. A pelagem vai do branco ao louro, passando pelo canela, pelo castanho-claro e pelo castanho-escuro.

Há três variantes com nome próprio:

  • Urso-canela: pelagem castanha ou avermelhada, cor de canela. É a mais comum das variantes claras, sobretudo no oeste.
  • Urso-glaciar ou urso-azul: pelagem cinzento-prateada com um brilho azulado nos flancos. Restrito ao sudeste do Alasca.
  • Urso-espírito ou urso Kermode: cerca de 10 % desta subespécie tem o pelo branco ou creme, por um gene recessivo. Não é albinismo — são ursos pretos brancos, na costa da Colúmbia Britânica.

Como distingui-lo de um grizzli

A cor não serve, como se acabou de ver: um grizzli pode ser quase preto e um urso preto pode ser louro. O que serve são três traços de forma:

  • A corcova dos ombros: o grizzli tem uma massa muscular saliente entre as omoplatas; o urso preto não tem.
  • O perfil da cara: no urso preto é mais direito; no grizzli, largo e côncavo, com um degrau entre a testa e o focinho.
  • As garras: as do urso preto são curtas — é o que lhe permite trepar; as do grizzli são longas, de escavar.

É também um animal mais pequeno. Um macho pesa entre 60 e 300 kg e mede 120 a 188 cm; uma fêmea pesa entre um terço e metade menos. Há muita variação regional: na Califórnia a média dos machos anda pelos 86 kg, e nas Great Smoky Mountains pelos 112 kg.

Trepa a vida inteira

Trepa com regularidade para comer, para fugir e para hibernar — as três coisas. É a espécie que melhor usa a árvore como recurso, e não só na infância: a capacidade vai diminuindo com a idade, mas nunca desaparece.

É também a razão por que as suas crias sobrevivem tão bem. A saída de emergência está sempre a cinco metros de distância, na vertical.

O que come

Até 85 % da dieta é vegetal. O resto é sobretudo insetos — abelhas, vespas, formigas, escaravelhos e as respetivas larvas. Não é um predador de grande porte, e essa é a diferença de fundo em relação ao urso-pardo, com quem partilha território em boa parte do oeste norte-americano. Ver a alimentação dos ursos.

A hibernação, medida

É a espécie de urso cuja hibernação melhor se conhece, e os números são notáveis. Entra na toca em Outubro ou Novembro e dorme três a oito meses, conforme o clima da região.

Durante esse período:

  • O ritmo cardíaco cai de 40-50 batimentos por minuto para 8.
  • O metabolismo desce a um quarto do basal.
  • A temperatura corporal, no entanto, quase não baixa: fica à volta dos 35 °C. Não é a hibernação profunda de um roedor.
  • Consome 25 a 40 % do seu peso corporal ao longo do inverno.

E o metabolismo continua reduzido até 21 dias depois de o animal acordar. Sobre o que a hibernação dos ursos ensina, ver as características dos ursos.

Onde vive

Canadá, Estados Unidos e México. Ocupa boa parte da sua área canadiana original e, nos Estados Unidos, está presente de forma quase contínua no nordeste e ao longo dos montes Apalaches, do Maine até ao norte da Geórgia — e ainda no norte do Midwest, nas Montanhas Rochosas, na costa oeste e no Alasca.

É uma distribuição muito mais compacta do que a do urso preto asiático, que ocupa dezoito países, e explica por que razão as suas populações se contam com muito mais confiança.

Países onde vive o Urso preto americano
Afeganistão Angola Albânia Emirados Árabes Unidos Argentina Arménia Antártida Terras Austrais e Antárticas Francesas Austrália Áustria Azerbaijão Burundi Bélgica Benim Burkina Faso Bangladesh Bulgária Bósnia e Herzegovina Bielorrússia Belize Bolívia Brasil Brunei Butão Botsuana República Centro-Africana Canadá Suíça Chile China Costa do Marfim Camarões República Democrática do Congo República do Congo Colômbia Costa Rica Cuba Chéquia Alemanha Djibouti Dinamarca República Dominicana Argélia Equador Egito Eritreia Sara Ocidental Espanha Estónia Etiópia Finlândia Ilhas Malvinas França Gabão Reino Unido Geórgia Gana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial Grécia Groenlândia Guatemala Guiana Honduras Croácia Haiti Hungria Indonésia Índia República da Irlanda Irão Iraque Islândia Israel Itália Jordânia Japão Cazaquistão Quénia Quirguistão Camboja Coreia do Sul Kuwait Laos Libéria Líbia Sri Lanka Lesoto Lituânia Letónia Marrocos Moldávia Madagáscar México Macedónia do Norte Mali Myanmar Montenegro Mongólia Moçambique Mauritânia Malawi Malásia Namíbia Nova Caledónia Níger Nigéria Nicarágua Países Baixos Noruega Nepal Nova Zelândia Omã Paquistão Panamá Peru Filipinas Papua-Nova Guiné Polónia Coreia do Norte Portugal Paraguai Roménia Rússia Ruanda Arábia Saudita Sudão Senegal Serra Leoa El Salvador Somália Sérvia Sudão do Sul Suriname Eslováquia Eslovénia Suécia Essuatíni Síria Chade Togo Tailândia Tajiquistão Turquemenistão Timor-Leste Tunísia Turquia Taiwan Tanzânia Uganda Ucrânia Uruguai Estados Unidos Uzbequistão Venezuela Vietname Iémen África do Sul Zâmbia Zimbábue

América do Norte, do Alasca ao México

3 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.

Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.

Quantos são

Em 2011 estimavam-se entre 339.000 e 465.000 exemplares nos Estados Unidos, e entre 396.000 e 476.000 em sete províncias do Canadá. É a razão da classificação da UICN: pouco preocupante, com populações estáveis ou em crescimento na generalidade das regiões estudadas.

É a exceção da família. Das oito espécies de urso, seis estão classificadas como vulneráveis.

Reprodução

A ninhada tem entre uma e seis crias, sendo duas ou três o habitual. Nascem em finais de Janeiro ou princípios de Fevereiro, dentro da toca, com 280 a 450 gramas. Mamam durante 30 semanas e tornam-se independentes aos 16 a 18 meses — mais cedo do que qualquer outro urso do hemisfério norte, e só o urso-de-óculos se emancipa antes. Ver a reprodução dos ursos.