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Ursopedia

Urso Pardo

Urso pardo europeu junto a um lago

Foto: Malene Thyssen · CC BY-SA 3.0

Ficha taxonómica

Nome científico
Ursus arctos
Ordem
Carnivora
Família
Ursidae
Género
Ursus
IUCN
LCPouco preocupante
Tendência
Estável
Habitat
Florestas, montanhas e tundra
Peso
80–600 kg

O urso-pardo (Ursus arctos) é a espécie de urso mais espalhada do mundo e a que vive mais perto de nós: ocupa a Eurásia e a América do Norte, e a sua população mais próxima de Portugal está na Cordilheira Cantábrica, a cerca de 100 quilómetros da fronteira.

É também a espécie com mais nomes. Urso pardo e urso castanho são o mesmo animal, e o grizzly e o Kodiak são subespécies suas, não espécies próprias.

O tamanho depende do que come

Esta é a chave para perceber o urso-pardo, e a razão de tanta confusão sobre o seu tamanho. Um macho da costa do Alasca pesa em média 389 kg. Um macho do interior do Canadá pesa 139 kg. São o mesmo animal, com a mesma genética de base. O que os separa é o acesso ao salmão.

Onde há salmão a subir os rios, os ursos acumulam gordura suficiente para atingir tamanhos que noutro sítio seriam impossíveis. É por isso que os maiores ursos-pardos do mundo vivem em ilhas e costas do Pacífico Norte, e os mais pequenos em interiores continentais.

O que come

Apesar de pertencer à ordem Carnivora, o urso-pardo é omnívoro oportunista: até 90% da energia da sua dieta vem de matéria vegetal — raízes, bolbos, ervas, frutos silvestres e frutos secos. A parte animal inclui insetos, peixe, carne de animais mortos e, quando a ocasião surge, presas vivas.

Onde vive

Eurásia e América do Norte. As maiores populações estão na Rússia, no Alasca e no Canadá. Na Europa sobrevive em núcleos dispersos: Escandinávia, Cárpatos, Balcãs, Alpes, Pirenéus e Cordilheira Cantábrica.

Países onde vive o Urso Pardo
Afeganistão Angola Albânia Emirados Árabes Unidos Argentina Arménia Antártida Terras Austrais e Antárticas Francesas Austrália Áustria Azerbaijão Burundi Bélgica Benim Burkina Faso Bangladesh Bulgária Bósnia e Herzegovina Bielorrússia Belize Bolívia Brasil Brunei Butão Botsuana República Centro-Africana Canadá Suíça Chile China Costa do Marfim Camarões República Democrática do Congo República do Congo Colômbia Costa Rica Cuba Chéquia Alemanha Djibouti Dinamarca República Dominicana Argélia Equador Egito Eritreia Sara Ocidental Espanha Estónia Etiópia Finlândia Ilhas Malvinas França Gabão Reino Unido Geórgia Gana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial Grécia Groenlândia Guatemala Guiana Honduras Croácia Haiti Hungria Indonésia Índia República da Irlanda Irão Iraque Islândia Israel Itália Jordânia Japão Cazaquistão Quénia Quirguistão Camboja Coreia do Sul Kuwait Laos Libéria Líbia Sri Lanka Lesoto Lituânia Letónia Marrocos Moldávia Madagáscar México Macedónia do Norte Mali Myanmar Montenegro Mongólia Moçambique Mauritânia Malawi Malásia Namíbia Nova Caledónia Níger Nigéria Nicarágua Países Baixos Noruega Nepal Nova Zelândia Omã Paquistão Panamá Peru Filipinas Papua-Nova Guiné Polónia Coreia do Norte Portugal Paraguai Roménia Rússia Ruanda Arábia Saudita Sudão Senegal Serra Leoa El Salvador Somália Sérvia Sudão do Sul Suriname Eslováquia Eslovénia Suécia Essuatíni Síria Chade Togo Tailândia Tajiquistão Turquemenistão Timor-Leste Tunísia Turquia Taiwan Tanzânia Uganda Ucrânia Uruguai Estados Unidos Uzbequistão Venezuela Vietname Iémen África do Sul Zâmbia Zimbábue

Eurásia e América do Norte

40 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.

Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.

Os ursos-pardos da Península Ibérica

A população cantábrica é a que interessa a quem lê isto em Portugal — é de lá que veio o único urso registado em território português nos últimos 180 anos. O censo mais recente, feito com identificação genética individual a partir de amostras recolhidas em 2020 e 2021, estima 370 exemplares: cerca de 250 no núcleo ocidental, entre as Astúrias e Leão, e 120 no oriental, entre a Cantábria e Palência.

E está a crescer: cerca de 10% ao ano nos últimos 25 anos. Foi de lá que veio o urso avistado no Parque Natural de Montesinho em 2019, o primeiro em território português em quase 180 anos.

Reprodução

As fêmeas dão à luz durante a hibernação, no interior da toca, e as crias nascem muito pequenas e indefesas. Passam com a mãe cerca de dois anos e meio, período em que ela não se reproduz — o que explica por que razão a recuperação de uma população de ursos é sempre lenta, mesmo quando as condições melhoram.

Estado de conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica o urso-pardo como pouco preocupante à escala global, graças às grandes populações da Rússia, do Alasca e do Canadá. Isso não significa que esteja seguro em todo o lado: vários núcleos europeus são pequenos, isolados e vulneráveis, e a espécie já se extinguiu em países inteiros — Portugal entre eles, em 1843.