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Ursopedia

Alimentação dos ursos

Os ursos pertencem à ordem Carnivora, mas quase nenhum é carnívoro. De oito espécies, apenas uma come sobretudo carne. As outras sete são omnívoras oportunistas, e há duas cuja dieta é vegetal em mais de 90%.

Quanto come cada espécie de carne

A diferença entre elas é maior do que a que existe entre muitos animais de famílias distintas. Não é uma questão de preferência: cada espécie come o que o seu território dá, e a dentição, o tamanho e o comportamento foram-se ajustando a isso.

Sobretudo vegetal

A maior parte da dieta é matéria vegetal. Todas têm percentagem publicada.

Especialistas em insetos

A base são térmitas, formigas e abelhas, completadas com fruta e mel. Sem percentagem global publicada.

Carnívoro

Come quase exclusivamente carne. Não por escolha: no seu território não cresce quase nada comestível.

Onívoro, sem percentagem publicada

Come de tudo, mas não há uma repartição documentada.

Panda gigante a comer bambu
O panda gigante levou a especialização ao limite: 99% da dieta é bambu, e nem sequer hiberna. Foto: Pexels

Porque o urso polar é a exceção

Não é uma escolha: é o território. No gelo do Ártico não cresce quase nada comestível, por isso o urso polar caça focas — sobretudo a foca-anelada, e também a barbuda e a da Gronelândia. A gordura da presa é o combustível que lhe permite manter a temperatura corporal onde nenhuma planta cresce.

Urso pardo a pescar salmão num rio do Alasca
Nos rios do Pacífico Norte, a subida do salmão concentra dezenas de ursos que fora dessa época se evitam. Foto: Pexels

Os dentes contam a história

O crânio de um urso é maciço e ancora músculos mandibulares poderosos. Mas os caninos grandes servem sobretudo para exibição, e os molares são planos e de esmagar, não de cortar. Os dentes carniceiros — os que num lobo ou num felino cortam carne como tesouras — estão relativamente pouco desenvolvidos nos ursos.

É a dentição de um animal que passa a maior parte do tempo a triturar vegetais, não a desmembrar presas. E varia tanto entre espécies que sugere que a dieta da família continua a mudar.

Os dois especialistas em insetos

O urso-beiçudo levou a especialização ao extremo. Perde os incisivos superiores centrais ainda novo, e o vão que fica funciona como um tubo: escava a térmiteira com as garras, sopra para afastar a terra e aspira as térmitas pelo buraco dos dentes. Consegue fechar as narinas à vontade para não inalar pó, e tem apenas 40 dentes — menos do que qualquer outro urso.

O urso-malaio resolve o mesmo problema de outra maneira: garras em forma de foice para abrir troncos e colmeias, e uma língua excecionalmente longa para alcançar o que está lá dentro.

A comida decide o tamanho

Este é o dado que mais surpreende. Um urso-pardo macho da costa do Alasca pesa em média 389 kg. Um macho do interior do Canadá pesa 139 kg. São o mesmo animal, com a mesma genética.

Urso pardo com um salmão na boca
Quando o peixe abunda, o urso come as partes mais gordas e descarta o resto. Foto: Pexels

A diferença é o acesso ao salmão. Onde os rios enchem de peixe na época da desova, os ursos acumulam gordura suficiente para atingir tamanhos que noutro sítio seriam impossíveis. É por isso que o urso Kodiak, numa ilha cheia desses rios, é o maior urso-pardo do mundo.

A dieta muda com a estação

Não é fixa ao longo do ano. No urso-beiçudo, por exemplo, a matéria vegetal domina no Inverno e os insetos no Verão. Nos ursos do norte, o Outono é a estação de comer sem parar: é a gordura acumulada nessas semanas que os mantém vivos durante a hibernação, quando passam meses sem comer nem beber.

Como muda a dieta ao longo da vida

As crias nascem cegas e mamam durante meses dentro da toca. Depois acompanham a mãe dois ou três anos, e é nesse período que aprendem o que se come e onde se encontra em cada estação — que raízes escavar, que árvores dão fruto e quando, e em que troço do rio esperar o peixe.

Não é instinto puro: é conhecimento transmitido. Uma cria separada da mãe cedo demais tem menos hipóteses, não por ser mais fraca, mas por não ter aprendido o calendário do seu território.