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Ursopedia

Urso Panda Gigante

Urso Panda Gigante em ambiente natural

Foto: wal_172619 · Pixabay Content License

Ficha taxonómica

Nome científico
Ailuropoda melanoleuca
Ordem
Carnivora
Família
Ursidae
Género
Ailuropoda
IUCN
VUVulnerável
Tendência
A aumentar
Habitat
Florestas de bambu entre 2.400 e 3.000 m
Peso
70–160 kg

O urso panda gigante (Ailuropoda melanoleuca) é o único urso que vive quase exclusivamente de uma planta. Cerca de 99 % da sua dieta é bambu — e o seu aparelho digestivo continua a ser o de um carnívoro. Vive nas montanhas do centro da China e é, provavelmente, o animal mais reconhecível do planeta.

Como é

Um macho adulto chega aos 160 kg; uma fêmea pesa entre 70 e 125 kg. A média da espécie ronda os 100 a 115 kg. Mede entre 1,2 e 1,9 m de comprimento, cauda incluída, e 60 a 90 cm de altura ao garrote. Os machos são 10 a 20 % maiores do que as fêmeas.

O padrão preto e branco não é ornamento. Funciona como camuflagem — e funciona precisamente porque o panda não hiberna: passa o inverno acordado e ao ar livre, onde as zonas brancas o dissimulam na neve e os ombros e as patas negras o escondem na sombra.

O falso polegar

Na pata dianteira, o panda tem uma peça que mais nenhum urso possui: um osso sesamoide modificado do pulso que funciona como um sexto dedo oponível. Não é um polegar verdadeiro — é um osso do pulso alongado — mas faz o trabalho de um: segurar a cana de bambu enquanto os dentes a descascam.

É a peça que torna possível a sua dieta. Sem ela, um animal com patas de urso não conseguiria manipular um caule fino durante as longas horas diárias que passa a comer.

Uma dieta que não lhe convém

O panda come 9 a 14 kg de bambu por dia. Come tanto porque aproveita muito pouco: o seu tubo digestivo é curto e direito, de carnívoro, sem o aparelho de fermentação que um herbívoro verdadeiro usa para desmontar a celulose. O bambu entra e sai quase sem ser digerido.

A consequência é literal: um panda defeca até 40 vezes por dia. E é também a razão por que passa a vida a comer e a dormir — não lhe sobra energia para muito mais.

Não é vegetariano por princípio. Come carne, peixe e ovos quando os encontra; simplesmente quase nunca os encontra. Sobre o que come cada espécie, ver a alimentação dos ursos.

Não hiberna: muda de altitude

É a exceção entre os ursos de clima frio. Em vez de entrar em dormência quando o inverno aperta, o panda desce a encostas mais quentes e continua a comer. Pode fazê-lo porque o bambu não desaparece no inverno: ao contrário da fruta ou dos frutos secos, está lá o ano inteiro.

Não constrói tocas permanentes. Abriga-se em troncos ocos e fendas de rocha. Sobre quem hiberna e quem não, ver as características dos ursos.

Onde vive

Apenas em três províncias chinesas — Sichuan, Shaanxi e Gansu, e dentro delas em seis serras isoladas: Qinling, Minshan, Qionglai, Daxiangling, Xiaoxiangling e Liangshan. Vive entre os 2.400 e os 3.000 metros de altitude, nos bosques temperados de montanha onde o bambu cresce.

É solitário e territorial. Cada adulto tem uma área definida, e uma fêmea não tolera outra fêmea na sua. Comunica sobretudo por cheiro, deixando marcas em rochas e árvores, e por um repertório vocal próprio: um balido para as interações pacíficas, um chilreio quando a fêmea está no cio, e rugidos ou rosnados nos confrontos.

Países onde vive o Urso Panda Gigante
Afeganistão Angola Albânia Emirados Árabes Unidos Argentina Arménia Antártida Terras Austrais e Antárticas Francesas Austrália Áustria Azerbaijão Burundi Bélgica Benim Burkina Faso Bangladesh Bulgária Bósnia e Herzegovina Bielorrússia Belize Bolívia Brasil Brunei Butão Botsuana República Centro-Africana Canadá Suíça Chile China Costa do Marfim Camarões República Democrática do Congo República do Congo Colômbia Costa Rica Cuba Chéquia Alemanha Djibouti Dinamarca República Dominicana Argélia Equador Egito Eritreia Sara Ocidental Espanha Estónia Etiópia Finlândia Ilhas Malvinas França Gabão Reino Unido Geórgia Gana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial Grécia Groenlândia Guatemala Guiana Honduras Croácia Haiti Hungria Indonésia Índia República da Irlanda Irão Iraque Islândia Israel Itália Jordânia Japão Cazaquistão Quénia Quirguistão Camboja Coreia do Sul Kuwait Laos Libéria Líbia Sri Lanka Lesoto Lituânia Letónia Marrocos Moldávia Madagáscar México Macedónia do Norte Mali Myanmar Montenegro Mongólia Moçambique Mauritânia Malawi Malásia Namíbia Nova Caledónia Níger Nigéria Nicarágua Países Baixos Noruega Nepal Nova Zelândia Omã Paquistão Panamá Peru Filipinas Papua-Nova Guiné Polónia Coreia do Norte Portugal Paraguai Roménia Rússia Ruanda Arábia Saudita Sudão Senegal Serra Leoa El Salvador Somália Sérvia Sudão do Sul Suriname Eslováquia Eslovénia Suécia Essuatíni Síria Chade Togo Tailândia Tajiquistão Turquemenistão Timor-Leste Tunísia Turquia Taiwan Tanzânia Uganda Ucrânia Uruguai Estados Unidos Uzbequistão Venezuela Vietname Iémen África do Sul Zâmbia Zimbábue

Sichuan, Shaanxi e Gansu (China)

Um único país. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.

Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.

A cria mais pequena de qualquer mamífero placentário

Uma cria de panda nasce com 90 a 130 gramas — cerca de 1/800 do peso da mãe. Nasce rosada, cega e sem dentes, e só começa a gatinhar aos 75 a 80 dias. Ao fim de um ano pesa 45 kg.

A fêmea tem gémeos em cerca de metade das gestações, mas não consegue criar os dois: escolhe o mais forte e o outro morre. As crias ficam com a mãe entre 18 meses e dois anos. Em cativeiro registaram-se exemplares com 38 anos; na natureza não há estimativa fiável. Mais sobre o assunto em a reprodução dos ursos.

As crias são vulneráveis a predadores que um panda adulto ignora: leopardos-das-neves, martas-de-garganta-amarela, águias, cães assilvestrados e o urso preto asiático. Os subadultos até 50 kg ainda podem ser presa de leopardo.

Estado de conservação

Restam cerca de 1.900 pandas em liberdade (estimativa de 2024). A UICN classifica a espécie como vulnerável desde 2016, quando deixou de estar «em perigo» — uma das poucas reclassificações para melhor da lista, resultado de décadas de proteção do habitat. Continua no Apêndice I da CITES.

Não tem subespécies reconhecidas.