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Ficha taxonómica
- Nome científico
- Ailuropoda melanoleuca
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Ursidae
- Género
- Ailuropoda
- IUCN
- VUVulnerável
- Tendência
- A aumentar
- Habitat
- Florestas de bambu entre 2.400 e 3.000 m
- Peso
- 70–160 kg
O urso panda gigante (Ailuropoda melanoleuca) é o único urso que vive quase exclusivamente de uma planta. Cerca de 99 % da sua dieta é bambu — e o seu aparelho digestivo continua a ser o de um carnívoro. Vive nas montanhas do centro da China e é, provavelmente, o animal mais reconhecível do planeta.
Como é
Um macho adulto chega aos 160 kg; uma fêmea pesa entre 70 e 125 kg. A média da espécie ronda os 100 a 115 kg. Mede entre 1,2 e 1,9 m de comprimento, cauda incluída, e 60 a 90 cm de altura ao garrote. Os machos são 10 a 20 % maiores do que as fêmeas.
O padrão preto e branco não é ornamento. Funciona como camuflagem — e funciona precisamente porque o panda não hiberna: passa o inverno acordado e ao ar livre, onde as zonas brancas o dissimulam na neve e os ombros e as patas negras o escondem na sombra.
O falso polegar
Na pata dianteira, o panda tem uma peça que mais nenhum urso possui: um osso sesamoide modificado do pulso que funciona como um sexto dedo oponível. Não é um polegar verdadeiro — é um osso do pulso alongado — mas faz o trabalho de um: segurar a cana de bambu enquanto os dentes a descascam.
É a peça que torna possível a sua dieta. Sem ela, um animal com patas de urso não conseguiria manipular um caule fino durante as longas horas diárias que passa a comer.
Uma dieta que não lhe convém
O panda come 9 a 14 kg de bambu por dia. Come tanto porque aproveita muito pouco: o seu tubo digestivo é curto e direito, de carnívoro, sem o aparelho de fermentação que um herbívoro verdadeiro usa para desmontar a celulose. O bambu entra e sai quase sem ser digerido.
A consequência é literal: um panda defeca até 40 vezes por dia. E é também a razão por que passa a vida a comer e a dormir — não lhe sobra energia para muito mais.
Não é vegetariano por princípio. Come carne, peixe e ovos quando os encontra; simplesmente quase nunca os encontra. Sobre o que come cada espécie, ver a alimentação dos ursos.
Não hiberna: muda de altitude
É a exceção entre os ursos de clima frio. Em vez de entrar em dormência quando o inverno aperta, o panda desce a encostas mais quentes e continua a comer. Pode fazê-lo porque o bambu não desaparece no inverno: ao contrário da fruta ou dos frutos secos, está lá o ano inteiro.
Não constrói tocas permanentes. Abriga-se em troncos ocos e fendas de rocha. Sobre quem hiberna e quem não, ver as características dos ursos.
Onde vive
Apenas em três províncias chinesas — Sichuan, Shaanxi e Gansu, e dentro delas em seis serras isoladas: Qinling, Minshan, Qionglai, Daxiangling, Xiaoxiangling e Liangshan. Vive entre os 2.400 e os 3.000 metros de altitude, nos bosques temperados de montanha onde o bambu cresce.
É solitário e territorial. Cada adulto tem uma área definida, e uma fêmea não tolera outra fêmea na sua. Comunica sobretudo por cheiro, deixando marcas em rochas e árvores, e por um repertório vocal próprio: um balido para as interações pacíficas, um chilreio quando a fêmea está no cio, e rugidos ou rosnados nos confrontos.
Sichuan, Shaanxi e Gansu (China)
Um único país. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.
Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.
A cria mais pequena de qualquer mamífero placentário
Uma cria de panda nasce com 90 a 130 gramas — cerca de 1/800 do peso da mãe. Nasce rosada, cega e sem dentes, e só começa a gatinhar aos 75 a 80 dias. Ao fim de um ano pesa 45 kg.
A fêmea tem gémeos em cerca de metade das gestações, mas não consegue criar os dois: escolhe o mais forte e o outro morre. As crias ficam com a mãe entre 18 meses e dois anos. Em cativeiro registaram-se exemplares com 38 anos; na natureza não há estimativa fiável. Mais sobre o assunto em a reprodução dos ursos.
As crias são vulneráveis a predadores que um panda adulto ignora: leopardos-das-neves, martas-de-garganta-amarela, águias, cães assilvestrados e o urso preto asiático. Os subadultos até 50 kg ainda podem ser presa de leopardo.
Estado de conservação
Restam cerca de 1.900 pandas em liberdade (estimativa de 2024). A UICN classifica a espécie como vulnerável desde 2016, quando deixou de estar «em perigo» — uma das poucas reclassificações para melhor da lista, resultado de décadas de proteção do habitat. Continua no Apêndice I da CITES.
Não tem subespécies reconhecidas.