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Ursopedia

Anatomia do urso

Um urso pisa com toda a planta do pé, como nós. Chama-se locomoção plantígrada e é um dos traços que definem a família — e a razão de conseguirem pôr-se de pé e sentar-se direitos com um equilíbrio notável.

Planta do pé de um urso, com as almofadas dos dedos apoiadas no chão
A sola inteira apoiada no chão, como a de uma pessoa. É essa planta que lhe permite pôr-se de pé sem esforço — e a que deixa uma pegada tão parecida com a nossa. Foto: fienchen017 / Pixabay

As patas e as garras

As garras dos ursos não se retraem. Ao contrário de um gato, que as recolhe para as manter afiadas, o urso anda com elas sempre à vista. Servem para escavar, trepar, rasgar e agarrar presas, e as das patas dianteiras são maiores do que as traseiras.

No urso-pardo medem 5 a 6 cm — e 7 a 10 cm medidas ao longo da curva, que é o que se enterra na terra quando escava.

A forma varia com o modo de vida. O urso preto americano tem as garras mais curtas de toda a família, o que o ajuda a trepar. O urso-malaio tem-nas em forma de foice, longas e pesadas, para abrir troncos.

E o panda gigante tem uma peça que mais nenhum urso possui: uma extensão óssea no pulso da pata dianteira que funciona como um polegar, e que lhe permite segurar as canas de bambu.

O crânio e os dentes

O crânio é maciço e serve de ancoragem a músculos mandibulares poderosos. Mas a dentição desmente a fama: os caninos grandes usam-se sobretudo para exibição, os molares são planos e de esmagar, e os dentes carniceiros — os que cortam carne — estão pouco desenvolvidos em comparação com outros carnívoros.

Crânio de urso com os caninos e os molares à vista
Os quatro caninos impressionam, mas o resto da boca conta outra história: atrás deles vêm molares largos e planos, de triturar. É a dentição de um omnívoro, não a de um predador. Foto: MAKY_OREL / Pixabay

O caso extremo é o urso-beiçudo: perde os incisivos superiores centrais ainda novo e usa o vão como tubo de aspiração para sugar térmitas.

Os sentidos

Aqui está o traço mais impressionante e o mais mal conhecido.

O olfato de um urso é excelente — melhor do que o de um cão, e possivelmente melhor do que o de qualquer outro mamífero. É o sentido com que encontra comida, deteta outro urso e decide se se aproxima ou se afasta.

Urso polar a cheirar o chão de perto
Um urso lê o mundo pelo nariz. A vista e o ouvido são medianos; o olfato é o instrumento com que encontra comida a quilómetros e decide se se aproxima ou se afasta. Foto: jhenning / Pixabay

Em contrapartida, nem a audição nem a visão são particularmente apuradas. Vêem a cores, o que provavelmente ajuda a distinguir fruta madura, mas não é a vista que os guia.

E têm uma particularidade única: são os únicos carnívoros sem bigodes sensíveis ao tato. Todos os outros — felinos, canídeos, mustelídeos — os têm.

O corpo

Corpo grande e maciço, patas curtas e robustas, focinho comprido, orelhas pequenas e redondas, pelagem densa e cauda curta. Nos ursos-pardos adultos há ainda uma corcova nos ombros, uma massa muscular que os ursos pretos não têm e que é a forma mais fiável de os distinguir no campo — porque a cor não serve: um grizzly pode ser quase louro ou quase preto.

Do mais pequeno ao maior

A amplitude dentro da família é enorme. Um urso-malaio adulto pesa entre 25 e 65 kg. Um urso polar macho pode chegar aos 800 kg. Mais de dez vezes o peso, dentro da mesma família.

Peso de cada espécie, do maior ao mais pequeno

Cada barra vai do peso da fêmea mais pequena ao do macho maior. A largura mostra quanto varia dentro da própria espécie: no urso polar e no pardo a diferença entre sexos é enorme, no urso-malaio é pequena.

A barra mostra também algo que passa despercebido: a diferença entre sexos dentro da mesma espécie. No urso polar uma fêmea pesa metade de um macho; no urso-malaio, macho e fêmea são quase iguais.

Força e movimento

São corredores, trepadores e nadadores capazes. Mas há um detalhe que muda tudo: conseguem arrancadas de velocidade e cansam-se depressa. Por isso caçam sobretudo à espreita e não em perseguição — e por isso, também, tentar fugir a correr de um urso é a pior decisão possível: a arrancada dele é mais rápida do que a de qualquer pessoa.

A força concentra-se nos antebraços. Um urso-pardo consegue partir o pescoço e a coluna de animais do tamanho de um alce ou de um bisonte adulto.

Nem todos trepam igual

Aqui há uma diferença prática e conhecida por quem vive com eles. O urso preto americano trepa bem — tem as garras curtas e curvas adequadas. O urso-pardo adulto não trepa bem: só em casos raros se viram fêmeas adultas a subir a uma árvore.

Os melhores trepadores da família são o urso-malaio, que dorme a 2 a 7 metros do solo, e o urso-de-óculos, que constrói plataformas de ramos nas árvores mais altas dos Andes.