Um urso pisa com toda a planta do pé, como nós. Chama-se locomoção plantígrada e é um dos traços que definem a família — e a razão de conseguirem pôr-se de pé e sentar-se direitos com um equilíbrio notável.

As patas e as garras
As garras dos ursos não se retraem. Ao contrário de um gato, que as recolhe para as manter afiadas, o urso anda com elas sempre à vista. Servem para escavar, trepar, rasgar e agarrar presas, e as das patas dianteiras são maiores do que as traseiras.
No urso-pardo medem 5 a 6 cm — e 7 a 10 cm medidas ao longo da curva, que é o que se enterra na terra quando escava.
A forma varia com o modo de vida. O urso preto americano tem as garras mais curtas de toda a família, o que o ajuda a trepar. O urso-malaio tem-nas em forma de foice, longas e pesadas, para abrir troncos.
E o panda gigante tem uma peça que mais nenhum urso possui: uma extensão óssea no pulso da pata dianteira que funciona como um polegar, e que lhe permite segurar as canas de bambu.
O crânio e os dentes
O crânio é maciço e serve de ancoragem a músculos mandibulares poderosos. Mas a dentição desmente a fama: os caninos grandes usam-se sobretudo para exibição, os molares são planos e de esmagar, e os dentes carniceiros — os que cortam carne — estão pouco desenvolvidos em comparação com outros carnívoros.

O caso extremo é o urso-beiçudo: perde os incisivos superiores centrais ainda novo e usa o vão como tubo de aspiração para sugar térmitas.
Os sentidos
Aqui está o traço mais impressionante e o mais mal conhecido.
O olfato de um urso é excelente — melhor do que o de um cão, e possivelmente melhor do que o de qualquer outro mamífero. É o sentido com que encontra comida, deteta outro urso e decide se se aproxima ou se afasta.

Em contrapartida, nem a audição nem a visão são particularmente apuradas. Vêem a cores, o que provavelmente ajuda a distinguir fruta madura, mas não é a vista que os guia.
E têm uma particularidade única: são os únicos carnívoros sem bigodes sensíveis ao tato. Todos os outros — felinos, canídeos, mustelídeos — os têm.
O corpo
Corpo grande e maciço, patas curtas e robustas, focinho comprido, orelhas pequenas e redondas, pelagem densa e cauda curta. Nos ursos-pardos adultos há ainda uma corcova nos ombros, uma massa muscular que os ursos pretos não têm e que é a forma mais fiável de os distinguir no campo — porque a cor não serve: um grizzly pode ser quase louro ou quase preto.
Do mais pequeno ao maior
A amplitude dentro da família é enorme. Um urso-malaio adulto pesa entre 25 e 65 kg. Um urso polar macho pode chegar aos 800 kg. Mais de dez vezes o peso, dentro da mesma família.
- Urso polar150–800 kg
- Urso Pardo80–600 kg
- Urso preto americano40–300 kg
- Urso preto asiático40–200 kg
- Urso de Óculos35–200 kg
- Urso Panda Gigante70–160 kg
- Urso-beiçudo55–145 kg
- Urso Malaio25–65 kg
Cada barra vai do peso da fêmea mais pequena ao do macho maior. A largura mostra quanto varia dentro da própria espécie: no urso polar e no pardo a diferença entre sexos é enorme, no urso-malaio é pequena.
A barra mostra também algo que passa despercebido: a diferença entre sexos dentro da mesma espécie. No urso polar uma fêmea pesa metade de um macho; no urso-malaio, macho e fêmea são quase iguais.
Força e movimento
São corredores, trepadores e nadadores capazes. Mas há um detalhe que muda tudo: conseguem arrancadas de velocidade e cansam-se depressa. Por isso caçam sobretudo à espreita e não em perseguição — e por isso, também, tentar fugir a correr de um urso é a pior decisão possível: a arrancada dele é mais rápida do que a de qualquer pessoa.
A força concentra-se nos antebraços. Um urso-pardo consegue partir o pescoço e a coluna de animais do tamanho de um alce ou de um bisonte adulto.
Nem todos trepam igual
Aqui há uma diferença prática e conhecida por quem vive com eles. O urso preto americano trepa bem — tem as garras curtas e curvas adequadas. O urso-pardo adulto não trepa bem: só em casos raros se viram fêmeas adultas a subir a uma árvore.
Os melhores trepadores da família são o urso-malaio, que dorme a 2 a 7 metros do solo, e o urso-de-óculos, que constrói plataformas de ramos nas árvores mais altas dos Andes.