
Foto: Cburnett · CC BY-SA 3.0
Ficha taxonómica
- Nome científico
- Tremarctos ornatus
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Ursidae
- Género
- Tremarctos
- IUCN
- VUVulnerável
- Habitat
- Florestas nubladas e páramo andino
- Peso
- 35–200 kg
O urso-de-óculos (Tremarctos ornatus) é o único urso nativo da América do Sul. Vive na cordilheira dos Andes e deve o nome às manchas claras à volta dos olhos, que variam de indivíduo para indivíduo como uma impressão digital.
O último dos ursos de focinho curto
É o único sobrevivente da subfamília dos ursos de focinho curto, que já foi abundante nas Américas. Os machos pesam entre 100 e 200 kg, com média perto dos 115 kg, e as fêmeas entre 35 e 82 kg, com média de 65 kg — uma das maiores diferenças de tamanho entre sexos de toda a família.
Mede entre 1,2 e 2 metros de comprimento, e os machos maduros medem no mínimo 150 cm. A altura ao garrote fica entre 70 e 90 cm.
O que come
É sobretudo herbívoro: apenas 5 a 7% da dieta é carne. Come cactos, bromélias, frutos de palmeira, bambu, bolbos de orquídea, fruta, musgo e produtos agrícolas. Trepa às árvores com facilidade e constrói plataformas de ramos onde se alimenta e descansa.
Vive nas árvores
É uma das quatro espécies de urso habitualmente arborícolas. Trepa às árvores mais altas dos Andes e, uma vez lá em cima, constrói plataformas de ramos onde descansa, guarda comida e se esconde.
Essa capacidade é a razão de ainda existir: quando aparecem pessoas, retira-se — e retira-se para cima. Nas florestas nubladas andinas está ativo tanto de dia como de noite.
É solitário e mantém-se afastado dos outros para evitar competição, mas não é territorial.
As manchas identificam cada indivíduo
O padrão e a extensão das marcas claras à volta dos olhos e do focinho são ligeiramente diferentes em cada animal, o que permite distinguir indivíduos à vista — como uma impressão digital.
Onde vive
Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, oeste da Bolívia e noroeste da Argentina, com presença rara no leste do Panamá. Ocupa florestas nubladas, pradarias de altitude (o páramo), florestas secas e matagais desérticos, normalmente entre os 1.900 e mais de 5.000 metros de altitude.
Andes: da Venezuela à Argentina
7 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.
Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.
Estado de conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica-o como vulnerável. Não há uma estimativa publicada da população selvagem.
As ameaças são a caça furtiva, a perda de habitat por expansão agrícola e mineração ilegal, e o conflito com as populações humanas.
O último de uma linhagem
Pertence aos Tremarctinae, os ursos de focinho curto, e é o único que resta. Os seus parentes fósseis desapareceram todos:
- Tremarctos floridanus, na América do Norte, conhecido desde há 2,7 milhões de anos até pelo menos há 23.000.
- Arctodus, o urso-de-focinho-curto gigante norte-americano, extinto no final do Pleistocénico, há cerca de 12.000 anos.
- Arctotherium, o equivalente sul-americano, extinto na mesma altura.
Conflito com as pessoas
É acusado de matar gado, sobretudo bovino, e de entrar em milharais. Mas a acusação costuma ser injusta: é muito mais provável que coma o animal já morto do que que o tenha matado, e o agricultor assume o pior.
Como lhe chamam nos Andes
Em aimará e quíchua chama-se jukumari; em quíchua também ukumari ou ukuku, que se traduz por «urso do buraco».
E é o urso mais conhecido da literatura infantil sem que quase ninguém o saiba: o Paddington é um urso-de-óculos, vindo do Peru.
Reprodução
Os acasalamentos podem ocorrer em quase qualquer altura do ano, mas concentram-se entre Abril e Junho, no início da estação húmida. Os nascimentos dão-se na estação seca, entre Dezembro e Fevereiro.
A gestação dura entre 5,5 e 8,5 meses. Nascem uma a três crias, sendo duas o número habitual e quatro uma raridade. Ao contrário dos ursos do norte, não pare durante a hibernação: as crias nascem numa toca pequena e a mãe espera que consigam ver e andar — três a quatro meses — antes de sair com elas. Acredita-se que na natureza viva normalmente 20 anos ou mais; em cativeiro há registo de um indivíduo que chegou aos 37 anos e 11 meses.