
Foto: Shyamal · CC BY-SA 2.5
Ficha taxonómica
- Nome científico
- Melursus ursinus
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Ursidae
- Género
- Melursus
- IUCN
- VUVulnerável
- Habitat
- Florestas tropicais, savanas e matagais
- Peso
- 55–145 kg
O urso-beiçudo (Melursus ursinus), também chamado urso-labiado ou urso-preguiça, é o único urso especializado em comer insetos. Vive no subcontinente indiano e alimenta-se sobretudo de térmitas, que aspira do ninho com um focinho adaptado para isso.
Urso-beiçudo, urso-labiado ou urso-preguiça?
São três nomes para o mesmo animal, e o terceiro gera confusão a mais.
Urso-beiçudo e urso-labiado são as formas correntes em português europeu, e descrevem o mesmo traço: os lábios enormes e móveis com que aspira as térmitas.
Urso-preguiça é como se lhe chama sobretudo no Brasil, e é uma tradução do inglês sloth bear. O nome tem culpa dos naturalistas do século XVIII, que ao verem as garras longas e curvas e o hábito de pendurar-se nas árvores o classificaram como um parente das preguiças. Não é: é um urso, e nada tem que ver com a preguiça verdadeira (Bradypus), um mamífero sul-americano que não é sequer carnívoro.
Se procurava a preguiça de três dedos que dorme pendurada nas selvas da Amazónia, não está na página certa. Se procurava o urso indiano que suga térmitas, sim.
Como se distingue dos outros ursos
É um urso de pelagem preta, longa e desgrenhada, com uma mancha clara em forma de V no peito. O que o torna inconfundível é a cabeça: tem o lábio inferior e o focinho muito móveis, sem os incisivos superiores centrais, e o palato escavado. Esse conjunto funciona como um tubo de aspiração.
Um macho adulto pesa entre 80 e 145 kg — excecionalmente até 192 kg — e uma fêmea entre 55 e 105 kg. O comprimento da cabeça e do corpo vai de 1,4 a 1,9 metros, com 60 a 92 cm de altura ao garrote.
O que come
Térmitas, formigas e abelhas formam a base da alimentação, completada com fruta e mel. A dieta muda com a estação: no Inverno domina a matéria vegetal e no Verão os insetos.
Para chegar às térmitas escava o ninho com as garras dianteiras, sopra para afastar a terra e aspira os insetos. O ruído ouve-se a dezenas de metros.
Onde vive
Índia, região do Terai no Nepal, Butão e Sri Lanka. Está regionalmente extinto no Bangladesh. Ocupa florestas tropicais húmidas e secas, savanas, matagais e pradarias abaixo dos 1.500 metros no subcontinente, e abaixo dos 300 metros nas florestas secas do Sri Lanka.
Índia, Nepal, Butão e Sri Lanka
4 países. Contornos: Natural Earth (domínio público). Distribuição a partir da Lista Vermelha da UICN.
Assinalam-se países inteiros, não a área exata ocupada dentro de cada um.
Estado de conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica-o como vulnerável. Estima-se que sobrevivam menos de 20.000 no subcontinente indiano e no Sri Lanka. A ameaça principal é a perda e degradação do habitat.
É um dos ursos mais agressivos que existem
Não por temperamento, mas por defesa. Vive em zonas densamente povoadas e partilha território com tigres-de-bengala e leopardos, que o predam. Quando se sente ameaçado carrega contra o agressor a gritar, e as garras dianteiras — feitas para escavar térmiteiras — infligem feridas graves.
O resultado é um número de acidentes elevado. Só no estado indiano de Madhya Pradesh, entre 1989 e 1994, os ataques de urso-beiçudo causaram 48 mortes e 686 feridos. Na Divisão Florestal do Norte de Bilaspur registaram-se 137 ataques e 11 mortes entre Abril de 1998 e Dezembro de 2000.
Comunica com um repertório amplo: uivos, guinchos, gritos, latidos e sons semelhantes a trompete durante os confrontos. O bufar é um aviso.
Os ursos dançarinos
Durante séculos foi capturado para o espetáculo dos ursos dançarinos, uma tradição na Índia que remonta ao século XIII. As crias eram treinadas para dançar e obedecer através de fome e castigo; aos machos arrancavam-se os dentes e castravam-nos.
A prática só terminou em 2009, quando foi libertado o último urso dançarino da comunidade Kalandar.
Reprodução
A gestação dura cerca de 210 dias. Cada ninhada tem normalmente uma ou duas crias, raramente três. As crias viajam às costas da mãe durante os primeiros meses — um comportamento que nenhum outro urso apresenta de forma tão marcada.